sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

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Rostos na Janela II (continuação)



A chuva inicia como uma névoa leve, entrecortada pela iluminação prateada, desenha no rosto do Vampiro um contorno expressivo, tenso, enquanto caminhava, pouco se importando com as intempéries da natureza, concentrava-se em detectar sinais de alguma presença.
Percebeu dentro do murmúrio da chuva movimentos sutis entre as sombras das casas, era seu acompanhante, outro de sua espécie, de uma casta mais rústica e resistente, mas, naquele momento ele se encontrava vulnerável, pois estava esforçando-se a movimentar, surpreendeu. Ele não estava visívelmente ferido, mas Claudius sabia que ele fora atacado por algo que conhecia o ponto fraco, apesar de Tanatus ser treinado o suficiente para debelar qualquer ameaça que se aproximasse.
- Tanatus! O que houve? - enquanto tentava verificar o estado, se havia ferimentos - Está ferido? - Tanatus articulava, tentando falar, mas sua voz não saía.
Claudius o ergueu nos braços e levou para um lugar seguro.
(continua)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Rostos na Janela


Duas pessoas corriam pelas ruas desertas da cidade, naquela madrugada e após uma chuva que transformou o pôr-de-sol em uma noite súbita e profunda, o chão brilhava sob as luzes noturnas, e refletia os passos apressados e largos daquele homem, acompanhado de outro que lhe alcançava rapidamente, não diziam nada um ao outro, o silêncio de suas vozes era quebrado pelo som de seus passos. Pararam, em frente a uma casa de arquitetura colonial do século XVII, olham para o céu onde as nuvens enfim revelam a brilhante lua cheia, um deles recebe aquela presença lunar com um arfar em sua respiração declinando a cabeça para trás levemente, cerra os olhos, fareja e escuta as presenças do interior daquela morada, onde uma das janelas do piso superior revela uma luz fraca. O aroma era de rosas, estas que se revelavam através das cortinas translúcidas, sobre uma mesinha próxima no interior de um quarto. Uma sombra transita contra esta luz. Os dois homens se entreolham e um deles empalidece, mas com um gesto de consentimento vira-se a observar, vigiando os arredores, o outro avança contra a janela, levado pelo aroma, não mais das rosas, mas do corpo feminino que provocava aquela sombra. Logo a encontra, não havia como discriminar qual força o atraía mais, a fome ou a sensualidade, que poderia provar dos dois como uma suave ambrosía, sobre a pele tão alva, doces e rubros momentos, lamentava-se por ser demasiado breve a degustação de cada perfumado néctar, de vida e deleite sublimado como se o traspassar de cada presa sacramentasse sua existência sobre a terra. Não era preciso justificar, nem ser totalmente consciente, apenas cumprir sua função. Um som do lado de fora do prédio aguça seus sentidos, fazendo-o abandonar o frágil corpo com ainda algumas gotas de vida, olha para trás com certo ar de ternura. Ainda aqueles olhos vidrados de pupilas dilatadas observando o vazio que agora o preenche e pulsa em suas veias, suspira como se lamentasse, não por sua presa, mas pelos breves momentos, desejados tão ardentemente que fossem permanentes. Em segundos estava entre as luzes e frescor da rua, renovado de sua urgência, mas não via seu companheiro, procura alarmado por traços da presença dele e, nenhuma, sequer insinuação de movimento. Olha novamente para a lua, sendo encoberta pelas pesadas nuvens, prenunciando outra chuva. ... continua...