domingo, 15 de março de 2009

O Anjo da Guerra

Se você acredita em anjos, conheça uma estória antiga sobre a luta pelo equilíbrio dos elementos. Uma tradição secreta existente há milênios levada ao conhecimento de um pequeno grupo de monges na idade média, debelando todos os conceitos sobre as forças que nos cercam e envolvem o mundo.
Na Europa do séc.XIII, num mosteiro localizando no alto de uma montanha, posicionado no centro de um amplo vale rodeado de uma cordilheira escarpada. O prédio, parecido com um castelo, de arquitetura românica, tendo muralhas e um grande pátio por trás dos muros, dois prédios sendo um deles uma igreja, abrigando cerca de quarenta homens em regime de reclusão. Era costume abrigarem viajantes dentro de seus portões, apesar da rígida transição religiosa que sofria aquela época.
Numa noite, aproximadamente ao pôr do sol, dotado de um céu encharcado de vermelho, pintando os prédios obscuros com sua luz, envolto em um ar úmido e pesado por causa do prenúncio de chuva. Surgiu aos portões um cavaleiro pedindo abrigo, ao abri-los, na perspectiva dos monges que, curiosos foram recebê-lo via-se somente a silhueta de um homem a cavalo enquanto o sol poente em seus rostos ofuscava causava uma ilusão de desenhar um par de asas amplas e negras nas laterais do cavalo.
O cavaleiro recurvava-se sobre a sela enquanto um dos monges o ajudava a descer. O cavalo era ricamente adornado, com um peitoral de metal desenhava no centro um símbolo sagrado, uma fênix rodeada de raios de luz. O cavaleiro que parecia estar ferido vestia uma estranha armadura, revelando-se uma mulher a qual era descrita assim: o cabelo longo castanho, preso a um rabo de cavalo alto com metal adornado. Uma espécie de colar inteiriço de metal modelo egípcio cheio de símbolos gravados, braceletes de metal, perneiras normalmente usadas por guerreiros romanos, armas de um fio agudíssimo.
Ela só dizia em tom de urgência: a igreja. Empunhou sua espada dirigindo-a contra os homens espantados.
O abade adiantou se protestando e pedindo que não profanasse o lugar sagrado. Observou pelo sangue que gotejava vigorosamente dentre as fendas da armadura pelo corpo e os cortes em seus membros que não seria possível sobreviver muito tempo, e talvez necessitasse de um alento espiritual para os seus momentos finais. Ela penetrou seu olhar bem dentro de seus olhos, como se hipnoticamente o convencesse que deveria atender as suas vontades ele ordenou que a deixassem passar.
Ela se adiantou para a porta principal da entrada do templo e se trancou, deixando a todos do lado de fora, correram às portas laterais e, estranhamente estavam trancadas.
De repente observou uma coluna de luz descer do céu até a igreja, visivelmente luminosa naquele início de noite. Enquanto lá dentro a guerreira celeste se regenerava de seus ferimentos através de um mecanismo existente no colar o qual acionado com um toque em determinados símbolos. Ao mesmo tempo proferia orações, as letras desenhadas no colar acendiam e uma luz descia do teto sobre seu corpo.
Essa peça em particular era o seu elo com os poderes divinos. Segundo a lenda, era transmitido para um sucessor a cada mil anos ou quando antes dos cinqüenta anos regenerados se ferisse gravemente. Isso significava que não poderia fazer aquele procedimento de novo, caso viesse a se ferir mortalmente. Teria que encontrar uma sucessora. O colar era ligado ao seu corpo através de cravos que penetravam a carne e também mantinha sua vida e poder durante o passar dos séculos. A regeneração só funciona em solo sagrado e o formato dos templos, assim como o são construídos até hoje, propositalmente projetados para servir também a este desígnio.
A arma era uma espada, de lâmina incrivelmente afiada, bordado com inscrições em seu centro.
Durante o processo, os monges se amontoavam nas vidraças para ver o que estava acontecendo. Alguns ajoelhavam trêmulos. Lá dentro, os ferimentos expostos e desnudos se fechavam enquanto se difundia um perfume de flores e um som agudo como de muitas vozes sussurrando. Ao terminar, um grande silêncio, as portas se destrancam e ela sai.
O abade aproxima-se, temerosamente, empunhando uma cruz e perguntando se era uma criatura de Deus ou das Trevas. Sua ausência de resposta, tão intrigante quanto os fatos o fez relaxar e formulou outra pergunta. Antes que resolvesse fazê-la, a mulher de armadura falou com ele em particular, pois decidiu dar uma explicação e requisitar colaboração. Disse que era o solo sagrado mais próximo para que se recuperasse de sua última luta. No entanto avisou: “Eles virão, os inimigos que combatera estão ao encalço”. Assustando o homem que olhava inquieto para o colar, continuando disse que seu último combate será ali, naquele pátio e, que ele seria incumbido de encontrar uma sucessora. Passou então a descrever os detalhes da missão que confiou, e que os dragões a colocariam em sua presença e dariam um sinal para identificá-la, determinando também que ele voltaria ali em dois dias.
O religioso perguntou: “Quem são aqueles que chegarão?”
Respondeu apenas: “Aqueles de Outras Esferas”. “Eu luto contra o desequilíbrio entre os mundos, sou apenas portadora do instrumento que promove e guarda”. “E quando ele se torna desigual, principalmente nesses tempos sombrios eu venho.” “Eu tenho novecentos anos de idade e, sei que se aproxima o momento mais difícil dos séculos, sustentado pelo fio da espada concretizarei o ciclo deste ministério.” “Esta foi a última cura que os Desuses me mandaram, agora, um novo guardião de carne e osso tomará o meu lugar.”
O homem, envolvido pelo poder daquelas palavras ergueu-se e saiu. Do lado de fora do cômodo, os outros se amontoavam preocupados e curiosos a imaginarem milhares de coisas, sabatinando o abade. Ele detinha uma expressão serena e apenas murmurou: “Tenho uma missão importante.”
A mulher foi até a porta para dar uma última instrução: “Tome o meu cavalo, ele o levará até o lugar certo.” No dia seguinte ele partiu.
Ao amanhecer, ela permanecia no lado externo do prédio, de costas para o portão, olhando em direção ao muro dos fundos do grande pátio principal direcionando o olhar para o céu no horizonte, onde se formavam negras nuvens. Ficou lá, parada imóvel, sem beber, nem comer. Apenas esperando, algo que parecia estar com as nuvens. Enquanto isso, os frades procuravam oferecer comida, bebida, que deixavam aos seus pés. Evitavam olhar para o seu rosto, extremamente belo e fora do padrão da época e daquela cultura, com expressão séria, e um olhar que parecia despir suas almas como se enxergasse todos os segredos mais íntimos.
Na manhã seguinte, tudo envolta rapidamente vestiu-se de negro junto de uma tormenta sem chuva, apenas com um vento forte e morno repleto de relâmpagos. Ela empunhou sua espada, em posição de ataque enquanto pouco a frente da muralha a nuvem negra abaixou até perto do chão e dela saíram cavaleiros horrendos fortemente armados galopando em sua direção. Iniciaram então a luta, a figura a pé parecia em grande desvantagem, mas abatia os inimigos com muita facilidade. Todo aquele combate sangrento era assistido pelos monges, os quais se escondiam apavorados. Observavam detalhes terríveis daqueles seres monstruosos que caíam mutilados pela espada poderosa que fazia daquela guerreira uma fúria que se iluminava naquela escuridão crescente. O número dos monstros reduziu-se a dois, os quais esperavam sua vez de avançarem. Então o primeiro se adiantou, parecia mais poderoso que os demais, até quando a lutadora fora alvejada por um golpe, mas em seguida conseguiu executar o inimigo. Imediatamente lançou-se o último deles sobre ela a partir de sua montaria iniciando um duelo difícil, equilibrado, como deveria ser. E, antes que eles continuassem a luta, seres desapareceram assim como a nuvem desintegraram-se sob o sol, os restos dos outros derrotados incendiaram-se ao toque da luz em seu ápice no céu. A guerreira cravou a espada à terra e se ajoelhou afligida pelo golpe mortal que sofrera.
Adentra pelo portão de entrada, o abade, trazendo uma jovem consigo. Apeia, e junto dela se aproxima da guerreira.
Era o momento mais surpreendente que assistiria um mortal, a morte de um guardião encarnado.
Eles foram ao interior da igreja, horas depois voltando apenas a jovem, portando os trajes e equipamentos de sua antecessora, a qual desaparecera.
O abade nunca comentou o que se passou dentro do templo, nem aos seus superiores. A jovem anônima partiu logo em seguida, no mesmo pôr de sol que se iniciou esta estória.
Esse manuscrito foi encontrado nas ruínas deste mosteiro em 1935, durante a ocupação nazista na Europa e destruída junto com vários outros livros que foram encontrados lá. Foi lido por mim, Carl Grunger só uma vez, pois sei ler em latim, e nunca o esqueci. Até hoje me intriga. Surgindo a pergunta em minha mente sempre que observo um por de sol, com meus 70 anos de idade, tudo que vivi e vivo, se essas energias realmente influenciam nossas vidas, assim como deve ter mudado a vida daqueles monges.